domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bizarrices comuns

Normalmente, quando alguém apresenta socialmente alguma característica incomum à maioria local, principalmente da ordem sexual (homossexuais) ou portadores de alguma desarmonia mental (dito pelo médico, a priori) ouve-se comentários alheios: “não tenho preconceito nenhum... o que Fulano faz na intimidade não muda em nada seu caráter ou minha admiração pela pessoa que é”.

O triste disso, é que o preconceito dessa frase é estarrecedor! Mal sabem, ou pensam, estes profanadores de “aceitação do diferente” que na intimidade, todos são desconhecidos. Inclusive, é provável que se seus amigos soubessem da sua solidão, do que gosta de verdade, muitos deles não arriscariam dizer que nada muda pra eles. O fato é que ninguém sabe exatamente o que as pessoas praticam. Ou melhor, caráter não é conduta íntima. Isso seria incoerente, aposto eu, na grande maioria das vezes, e ainda, é quase impossível definir essas duas palavras num consenso.

Bizarrices sexuais ou comportamentais não estão visíveis aos olhos de ninguém, ao menos que sejam voluntariamente compartilhadas. Aquela amiga santa, seu pai ou um sobrinho: todos podem comer lixo quando estão sozinhos em casa... quem dirá outras “semvergonhices” que a torto e a direito julgamos indevidas, ou esquisitas.

Coloca-se o “publicamente diferenciado” numa posição de “intimamente desvirtuado”, como se o fossem, ou como se todos nós não tivéssemos nossos hábitos secretos, aqueles que jamais faríamos se tivéssemos sendo observados.

Um vez li uma frase: “ético é aquele que faz somente o que faria caso ninguém estivesse olhando”. Pois é... quem de nós?



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Salve o sexto sentido

Parece premonição: a gente sabe quando não é o momento de certos registros.

Domingo passado, quando completei mais um giro em torno do sol, recebi familiares e amigos pra um churrasquinho na laje. Normalmente eu receberia um a um na porta já com um flash, vários ângulos, linguinhas pra fora, olho virado (adoro!!), mas não sei (não sabia) por que cargas d´agua, a câmera estava na gaveta o tempo todo, esquecida.

Um tempo depois, entre dedos engordurados, disk cerveja ineficiente e a implacável certeza de que o tempo ruge (em cada célula habitante do meu corpo), pensei: “gente, mas é meu aniversário!! Tenho que tirar fotos!!”. “Ah, deixa pra lá” – eu de novo – preguiçosa de ir ali pegar a bendita e começar a seção “com ela, com eles, agora sozinha, com o papai, etc...”. Mais tarde lembrei mais uma vez, e mais uma vez adiei pôr a coitadinha pra trabalhar. Até que depois do almoço, sobremesa por servir... uma vela!! “Ah vai ter parabéns!?!? Então peraí..”

Peguei a câmera pensando ser a hora de dar início aos trabalhos e a entreguei numa mão de confiança, pedindo a gentileza de nem que seja o sopro derradeiro se tornasse eterno numa imagem. Dito e feito... é Big! é Big! (nunca entendi isso), é hora! É hora!... e por algumas frações de segundos meu olhar cruzou as lentes, involuntariamente talvez só para que fique a impressão de conexão minha com aquele tom de “records forever” que a fotografia promete.

Foram poucas, umas 20 batidas. Quase nada pro mundo digital de hoje em dia, e eu, o tempo todo me esquivando de fazer dar certo o plano de quase 90% da população de hoje em dia: “quero uma bem boa pra eu pôr no facebook”.

Como nada na vida é por acaso (mesmo!), qual não foi minha confirmação ao baixar no computador as fotos, e observar a hecatombe. Não há, definitivamente NENHUMA foto que eu queira que alguém, sobre a face deste planeta azul, veja, além de mim. Minha Nossa Senhora Salvadora de Expressões: por que fiquei tão mal em tantos ângulos, momentos, flagras? Pra quê tanto olho torto (entre-aberto), tanta barriga saliente, pele brilhando, cara de ...?!!

Intuição é algo que deve ser ouvido, e respeitado. A meu ver, naquele dia de manhã uma voz vibrou no meu peito e me avisou: “cuidado, você não está bem hoje... não eternize suas feições atuais”. Da próxima vez, juro que escuto.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

And the Oscar goes to....

Qual seu tipo?
Alto? Magro? Barrigudinho? Braços curtos? Cabelão? Barba “por fazer”?

Algumas sussurrarão para si próprias, risinho malicioso, sensação de poder: "meu tipo são todos! Adoro homem!!"
Mentira. Sinto lhe informar, queridinha, mas não são todos que te agradam não. Se assim o fosse, você não estaria aí... atracada no travesseiro night by night.

Passado o choque de realidade pelo qual passei, dias atrás, quando um amigo em quem confio muito e por quem tenho genuína admiração me afirmou – e me convenceu -, ipsis litteris, que na concepção masculina existe mulher pra X, pra Y e pra Z (para toda e qualquer incógnita pertencente ao universo de verbos de ação, num caso conjugal ... logo, solte sua imaginação).
O nó na garganta, o aperto no peito, a sudorese nos pés e mãos e os calafrios passaram quando comecei a lidar com a nossa realidade (feminina), e eis a luz: nós também os classificamos desta forma. To errada?

Vejamos: a gente sonha com o pacotão “tudo de bom”, mas sabemos, no fundo dos nossos corações e úteros, que teremos que abrir mão de uma ou outra (ou muitas, tá bom...!) características fundamentais para alcançarmos a plenitude da vida a dois . Porém, antes que isso aconteça, antes que nossos olhares se cruzem a produzir efeitos sonoros, ventos e tremores de terra (Z) , a gente exige, exige, exige. Até o "cara pra X" tem que entrar na forma certa.

E faça um teste: enumere quais foram os últimos contatos (que delicadeza!) da sua vida afetiva – a partir de 6 meses atrás está bom. Anote características básicas como estatura, tom de pele, cor dos olhos, hobbies. Agora, eleja a metade deles (espero que não tenha sido só um) que mais te demandou tempo pensando (em vez de 20 horas por dia, 24h), e conclua: o que eles têm em comum? Aposto que várias coisas coincidirão, do tipo de cabelo a algum hábito encantador que você visualize ele executando a cada segundo na sua mente.

Sim, nós temos preferências, e de acordo com o borogodó (definição bastante individual), gamamos ou rejeitamos, ainda que aos olhos de outrem o dito cujo possa parecer ideal. É coisa de pele! Ou de sorriso mesmo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Mensagem pra você

Acordei toda animadinha e fui abrir a minha caixa de email. Opa! De ontem para hoje, 37 novas mensagens... Vamos ver, vamos ver... Ôh-ou.... Vende-se assinatura de revista, vende-se salada em promoção, maquiagem importada, “fotos do que fizemos no verão passado”... e os meus sentimentos? Por que eu tenho que me contentar com pilhas de propaganda e abrir mão de uma mensagenzinha carinhosa endereçada a mim, e somente a mim? Será que é isso que eu sou, pura e simplesmente uma consumidora em potencial? E não tô falando de corrente de amizade, não. Sai fora! Custava um recadinho pra mim?

O número um da madrugada era: 70% off em toda a linha infantil. Heim? Passo. O segundo: limpeza de pele+ sobrancelha+buço, de sei lá quanto por sei lá quanto. Olha, isso praticamente me ofende. Que mulher acharia bacana receber uma proposta dessas às 8h da manhã, quando, de fato, ainda não foi possível fazer muita amizade com o espelho... primeiro pensamento do dia: “será que já sacaram que eu tô baranga?”.

Refeita da ofensa, de volta aos emails: refeição das Arábias! Metade do preço em prato executivo, etc e tal... Resultado: azia e queimação. Não é boa idéia. Shop the must-have Moschino Bag – de 750 por 510. Euros. Ah tá... agora sim, vou comprar... ¬  Ou talvez eu prefira investir esse trocado na Folia KamaShastra. Que que é isso? “Para curtir os dias de folia, brinquedos e cosméticos eróticos com os mais deliciosos efeitos: sexy, calientes e divertidos!” Oferta tudo a ver também com uma terça-feira braba, 8h da manhã, super no clima...

Ai, ai, o mundo na minha caixa de emails...

Tá certo que eu que plantei isso – tinha nada que ficar desbravando o e-commerce -, mas tinha que ser nesse grau? E outra coisa: já que é pra controlar a minha vida, não dava pra controlar melhor e dar uma bolas dentro, não? Por que a Sack`s quer que eu conheça seus lançamentos em perfume se eu espirro 15 vezes seguidas se der uma cheiradinha inocente no cangote alheio? Por que a Veja quer que eu volte a assiná-la? Cruzes! Maldito dia em que eu resolvi assinar, vê seu eu vou renovar... Já falei com a moça do telemarketing que tá fora de cogitação... E a Capricho?! Tá certo que eu amo revistas em geral e já assinei toda a cartela feminina da Editora Abril, mas Capricho querida, faz tantos anos...


Shift+Del

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Muah!!

Quem tem, sabe do que eu estou falando, quem não tem, deveria procurar o seu!

Uma série infinita de vantagens circundam o universo fraternal, apelativo e hilário da amizade entre uma mulher e um homem gay.
Não precisa ser cena de novela, nada muito caricaturado ou cheio de invejinhas subliminares. O simples fato de você ter uma pessoa de confiança, que não tem tudo o que você tem, que gosta do mesmo que você e que sabe diferenciar as realidades é uma alegria só!

Não há empréstimo de vestidos, compartilhamentos de sensações físicas, ou concorrência social. Há a espontaneidade em pessoa! Quer coisa melhor que falar tudo o que vem à sua cabeça com um homem que não está, nunca esteve, nem estará a fim de você, (tampouco o contrário), que tem testosterona correndo nas veias – logo se coloca numa visão masculina da situação (ainda que com muito esforço) e que freqüenta vestiários e saunas masculinas, relatando toda e qualquer realidade por você não alcançada?

A figura do macho na sua vida pode ser transferida de vez em quando para a presença do amigo gay, que vai opinar com a maior sinceridade já conhecida se sua cintura aumentou levemente ou apavorantemente, se aquele cara está te fazendo de besta ou se você pode continuar pensando nele 25 horas do seu dia, se seu blush fez de você uma diva ou um travesti. Isso sem contar que não precisa esconder dele calcinhas cor-da-pele gigantes no seu varal, fotos do ex na carteira, nem doce na geladeira (ele vai comer com você, afinal, ele também é louco por açúcar!!).

Continuo leal às amigas queridas, aos amigos hetero (também fundamentais), mas a verdade tem que dita quando se trata do rainbow feelings: companhia constante, disposição garantida e uma alta dose de carinho regem a relação, raríssimas vezes conflituosa, tantas outras dignas de gargalhadas até o sol raiar! Afinal, quando morrermos, todas viraremos purpurina!


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Defina, se puder!

Naja? Jararaca? Cascavel? Urutu?

ou

Segunda mãe? Amigona? D. Fulaninha? Sogrinha linda?

Eis a questão!

Tenha o nome que tiver, a mãe do querido é sempre um caso especial. É preciso pisar em ovos pra que ela não te odeie mais que o fogo odeia a água, ou que ela não se apegue a ponto de dizer: se vocês terminarem, vou com ela!!!!

Parece mesmo que são extremos opostos. De um lado, as sogras gente-fina, confidentes, entusiastas do romance, conselheiras do casal, que dão presentinhos de igual valor ao da filha, que fazem esfiha sem cebola só porque você gosta... De outro, as mais ciumentas das criaturas, desesperadas pela possibilidade de o filhinho querido trocá-la por uma qualquer, certas de que todas as mulheres que se aproximam da cria são safadas, querem dar o golpe ou fazê-los prisioneiros.

Tenho uma teoria de que elas acham que o filho realmente não cresceu, que nunca será um homem capaz de prover, em vez de ser provido pelo seio maternal o resto dos dias. Dá vontade de falar... “Amor, tira a calça pra sua mãe se atualizar? Acho que ela ficou lá em 1989”.

Enquanto a barra da saia dela fica transloucada pro filhote se agarrar, resta às relis companheiras – e candidatas a noras – um jogo de cintura fora do comum pra ser pacífica sem levar o bote. A vara pro manejo tem que ser longa, firme e à prova de veneno, substância esta que escorre nas entrelinhas de sugestões de como ferver o leite como ele gosta, como colocar a fronha para ele não tirar de tanto que mexe na cama (alô, sograaaaa), e outras dicas muito peculiares às mães-heroínas-que-criam-pintinhos-debaixo-da-asa. (O trocadilho não seria coincidência).

De fato, as exceções existem e nem merecem palavras mal-criadas para descrevê-las. Acontece que enriquecido por workshops de tudo que é modalidade, o mundo ainda não criou o “Manual do desapego definitivo com o que não lhe pertence mais” para as queridas mamães dos varões do século XXI.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Casinha de gente grande

Quando eu era criança, minhas Barbies eram namoradas dos Comandos em Ação dos meus primos. Apesar deles serem bem menores que elas, o relacionamento dava super certo!! Isso pode ser porque eles eram musculosos e viris, e elas esguias e loiras, mas arrisco atribuir este sucesso conjugal a outros fatores.

Quando me ensinaram a brincar de papai e mamãe (com todo respeito da expressão), sabia que cada um exercia seus papéis e que a intenção era gerar frutos, levá-los pra escola e fazer o jantar. À noite, papai e mamãe brincavam de médico. Ninguém me instruiu a fazer minha Barbie Festa pagar de gostosona pro Bazooka, evitando flertes em meio às armas deles e poodles imaginários dela. Tampouco o Cobra vinha pro lado da B. Fazendeira e ela dizia pra amiga Barbie Shopping: “estou louca por ele, mas melhor fingir que não. Vou ficar mais um tempo cuidando dos ovos e das galinhas... assim ele vai ver que sou ocupada demais para ir logo de cara praquele tanque de guerra.”

Pois é! Crescidinha, além de aprender que a vida é muito mais que isso em todos os sentidos, me questiona a notória dificuldade que a espontaneidade tem de imperar nas brincadeiras dos adultos. Por que a didática infantil (da década de 80, convenhamos) foi uma, e hoje temos que reinventar a realidade e jogar, jogar, jogar?!? Não bastava brincar lá no auge dos 7, 8 anos? Hoje também a gente inventa, mas não historinhas de amor. Inventamos ocupações, interesses, tempos, atrasos, intempéries... o que for possível para tornar menos evidente o interesse do Falcon pela B. Enfermeira, ou o dela, por ele.

Paratudo!!!

O “preto no branco” é quase agressivo, assustador. Beira o despudorado ou carente-extremo-mal-amado. Nas minhas brincadeiras de 1990, eu queria e ele também? Ó-te-mo!! Bora pro quartinho no Batalhão do Exército, ou pro banheiro do “Beauty Salon”. O que não podíamos era perder tempo com isso, já que daqui a pouco a tia ia embora e o primo também (quando brincaríamos de novo? Sábado que vem?!!?! É tempo demais pra esperar).

De fato, eu era feliz e não sabia. E custei ‘reaprender’ as regras.


"Chega aí, Ken!"